Reflexões Poéticas sobre Resistência Digital na Obra Artística do Ciberpajé

Palavras-chave: Ativismo digital, Ciberpajé, Psicopolítica, Resistência digital

Resumo

O filósofo Byung-Chul Han propõe uma perspectiva filosófica extremamente crítica da era da informação. Sua filosofia apresenta o sujeito contemporâneo como alguém que reside em uma exposição total pelos mecanismos das redes, uma espécie de “prisão de luz”, em que a identidade social está totalmente desnuda. Trata-se de uma forma fetichista de reconhecimento: tudo o que está completamente à luz deve ser compreendido como algo bom, o que implica em diminuir o poder crítico, a diferença e a alteridade. Nesse contexto, Han duvida de toda forma de ativismo social na internet. O filósofo Habermas, com seu conceito de Esfera Pública, concorda em parte, mas o pensador Manuel Castells admite possibilidades de intervenção social pelas redes. A crítica de Han se coloca ao lado da sociedade do espetáculo de Debord, em que se valoriza apenas o aparecer e não o ser. No entanto, existe a possibilidade de pensar se o artivismo, a arte como intervenção social, pode trazer essa diferença. Analisa-se a obra de Edgar Franco, também conhecido como o Ciberpajé; um artista transmídia e instrutor universitário cujo trabalho é um xamanismo digital fundamentado na lógica de rede. Sua obra é interpretada sob a crítica de Han e investiga-se como as produções performativas, gráficas e teóricas do Ciberpajé dialogam com a acusação de que o ativismo digital se torna um espetáculo narcisista no sentido freudiano. Quando se questiona seu artivismo percebe-se uma proposta de resistência, mas que, paradoxalmente, joga o jogo da visibilidade que pretende denunciar. Na obra do Ciberpajé há uma possibilidade de negatividade e silêncio, mas sempre resta dúvida sobre a transformação verdadeira da sociedade.

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Publicado
2026-02-23
Como Citar
Lima Amorim, W., & Fraga Castro, D. (2026). Reflexões Poéticas sobre Resistência Digital na Obra Artística do Ciberpajé. Rotura – Revista De Comunicação, Cultura E Artes, 6(1). https://doi.org/10.34623/2184-8661.2026.v6i1.499
Artigo recebido em 2025-08-04
Artigo aceite em 2026-01-12
Artigo publicado em 2026-02-23