O que os objetos fazem fazer

Práticas comunicativas e produção do lugar nos mercados urbanos

  • Zara Pinto-Coelho Departamento de Ciências da Comunicação, Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS)/Instituto de Ciências Sociais/Universidade do Minho https://orcid.org/0000-0001-6651-3720
  • Helena Pires Departamento de Ciências da Comunicação, Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS)/Instituto de Ciências Sociais/Universidade do Minho https://orcid.org/0000-0002-5533-4687
Palavras-chave: Práticas comunicativas, Produção do lugar, Etnografia sensorial, Objetos, Mercados urbanos

Resumo

Este artigo analisa o papel dos objetos nas práticas comunicativas quotidianas do Mercado Municipal de Braga, procurando compreender de que modo participam na produção do mercado como lugar vivido. Partindo de uma conceção da comunicação como prática situada e de uma abordagem etnográfica inspirada na etnografia sensorial, o estudo acompanha a forma como pessoas, objetos e espaço se coordenam na organização da vida quotidiana do mercado. O trabalho de campo, realizado entre 2021 e 2022, mostra que produtos hortofrutícolas, imagens religiosas, utensílios domésticos e elementos arquitetónicos intervêm de formas distintas nas práticas observadas: organizam a experiência sensorial, prolongam as interações, tornam as bancas habitáveis e reconfiguram os usos do espaço coletivo. A análise evidencia que o lugar não resulta apenas da configuração material do mercado nem das intenções inscritas na sua organização, mas das práticas comunicativas através das quais vendedores, clientes e objetos produzem continuamente formas de convivência, cuidado, pertença e apropriação do espaço. O artigo contribui, assim, para compreender a produção do lugar como um processo comunicativo que articula pessoas, objetos e espaço.

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Publicado
2026-09-30
Como Citar
Pinto-Coelho, Z., & Pires, H. (2026). O que os objetos fazem fazer: Práticas comunicativas e produção do lugar nos mercados urbanos. Rotura – Revista De Comunicação, Cultura E Artes, 6(2). https://doi.org/10.34623/2184-8661.2026.v6i2.604
Artigo recebido em 2026-03-02
Artigo aceite em 2026-09-21
Artigo publicado em 2026-09-30