O oculto como dispositivo metodológico
Presença espectral e regimes de visualidade em Dora (1934), de Anita Malfatti
Resumo
A partir da descoberta, em 2025, de uma figura feminina nua oculta sob o retrato Dora (1934), pintura da artista modernista Anita Malfatti, este artigo investiga a imagem revelada como campo de latência e sobrevivência, propondo-a como dispositivo metodológico visual. Em diálogo com a imagem revelada através de tecnologias da ciência da arte (infravermelho e raio-X) e com a fenomenologia de Maurice Merleau-Ponty, articulada aos estudos sensoriais de Sarah Pink, desenvolve-se o conceito de uma epistemologia do oculto, compreendida como forma de conhecimento encarnado que emerge da tensão entre visível e invisível. A revelação tecnológica é aqui disposta como produtora de dado imagético propulsora de uma reconfiguração dos regimes de visualidade. Ao integrar criação visual, análise crítica e reflexão sensorial no próprio processo investigativo, o artigo insere-se no campo interdisciplinar dos métodos visuais, explorando a imagem enquanto artefacto empírico, operador teórico e prática comunicativa. Propõe-se, assim, uma montagem visual como operação epistemológica, na qual análise e criação se entrelaçam, ampliando os modos tradicionais de produção e apresentação do conhecimento em estudos artísticos e culturais.
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Direitos de Autor (c) 2026 Ana Andreiolo

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Artigo aceite em 2026-06-09
Artigo publicado em 2026-09-30















